O Doutor Mário Augusto Medeiros da Silva estudou escritores brasileiros que se auto referenciam como negros
ou periféricos, destacando o período entre a década de 60 e 2000. Mário
aborda o processo produtivo desses escritores, as dificuldades de
publicação e as possíveis relações com movimentos sociais.
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Programa Acadêmico do Governo levará jovens negros e indígenas para estudarem em universidades no exterior
Iniciativa é uma conquista para o
Movimento Negro, que a reivindicou para a presidenta Dilma Rousseff em
reunião no mês de julho de 2013. Nome do programa presta homenagem ao
político e ativista social Abdias Nascimento, que morreu em 2011, aos 97
anos, e marcou sua trajetória pela luta em defesa da cultura e da
igualdade para afrodescendentes
No documento protocolado no Palácio do
Planalto, o movimento pedia a criação
de cotas em programas de bolsas para estudantes negros na graduação e na pós-graduação.
de cotas em programas de bolsas para estudantes negros na graduação e na pós-graduação.
O Governo federal lançou em janeiro o Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento. Segundo portaria publicada pelo Ministério da Educação (MEC) no Diário Oficial da União, o objetivo da iniciativa é proporcionar a formação e capacitação de estudantes negros, pardos, indígenas e estudantes com deficiência para estudar no Brasil e no exterior em instituições de excelência em educação profissional e tecnológica e centros de pesquisa. A ação beneficiará ainda estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades, com elevada qualificação em universidades.
Para a Diretora de Programas da SEPPIR, Mônica Oliveira, o Programa Acadêmico Abdias Nascimento é importante iniciativa do Governo e uma conquista para o Movimento Negro (MN), que o reivindicou diretamente à presidenta Dilma Rousseff, durante reunião no Palácio do Planalto, em julho do ano passado. Cerca de vinte representantes dos diversos segmentos do MN participaram do encontro, que contou com a presença da Ministra Luiza Bairros (Igualdade Racial), do ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral), órgãos da Presidência da República, e do então ministro da Educação, Aloizio Mercadante, entre outros membros do governo.
Segundo ressaltou na ocasião Ana Flávia Magalhães Pinto, do Coletivo Pretas Candangas e da Campanha a Cor da Marcha, as diretrizes para a criação do programa estavam na carta protocolada no Palácio do Planalto pelo Movimento Negro. No documento, o movimento pedia a criação de cotas em programas de bolsas para estudantes negros na graduação e na pós-graduação e o estabelecimento de uma ação afirmativa pelo fortalecimento da inserção de estudantes no Ciência Sem Fronteiras.
Diálogo
Na semana seguinte à reunião com Dilma, seguiram-se outros dois encontros de trabalho, envolvendo representantes do MEC, MN e da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR). Na ocasião, a titular da Secadi - Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do MEC, Macaé Evaristo, entre outros técnicos da pasta, apresentaram iniciativas para o ensino técnico; ações afirmativas do governo, como o Programa Universidade para Todos (ProUni); e a política de cotas nas universidades públicas. Também foi discutida a implementação da Lei nº 10.639/2003, que modifica a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, tornando obrigatório o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas de todo o país.
A terceira reunião aconteceu nos dias 28 e 29 de agosto com uma extensa pauta e grande concorrência de participantes do governo, MN e comunidade internacional. Entre os temas levados às mesas de discussão estavam a adoção do Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento, em que parte das bolsas de estudo previstas no acordo de cooperação será oferecida pelo programa Ciência sem Fronteiras.
Intercâmbio
De acordo com o MEC, são 105 faculdades e universidades historicamente negras nos Estados Unidos (EUA) - Historically Black Colleges and Universities – HBCUs - que vieram ao Brasil para uma visita de dez dias a universidades e escolas técnicas brasileiras em busca de acordos de intercâmbio acadêmico.
Nesse sentido, David Raimundo Santos, da Educafro - Educação para Afro-descendentes e Carentes, o Frei Davi, falou sobre a importância da reunião com a presidenta Dilma e o fato de o MEC ter recebido e se reunido com o MN, indicando que os outros ministérios necessitam também receber a representação do movimento negro.
As HBCUs receberam aproximadamente 500 alunos/as brasileiros no ano passado para estudarem durante um ano nos EUA. O Chefe da comitiva e diretor da Casa Branca para Faculdades e Universidades Historicamente Negras, Meldon Hollis, explicou que a meta do acordo é levar cerca de mil alunos/as este ano para estudar nas HBCUs pelo programa Ciência sem Fronteiras, além de expandir acordos bilaterais entre as universidades dos dois países.
O Programa
O Programa Abdias Nascimento é complementar às atividades de cooperação internacional e de concessão de bolsas no país e no exterior, já desenvolvidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes que, junto com a Secretaria de Alfabetização Continuada, Diversidade e Inclusão (Secadi) responde pela coordenação da iniciativa.
O objetivo do Programa é oferecer oportunidade aos estudantes e ampliar sua participação em novas experiências educacionais e profissionais voltadas à educação, à competitividade e à inovação em áreas prioritárias para a promoção da igualdade racial, o combate ao racismo, o estudo e valorização das especificidades socioculturais e linguísticas dos povos indígenas, a acessibilidade e inclusão no Brasil, e a difusão do conhecimento da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena.
Fonte: Coordenação de Comunicação da SEPPIR
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Políticas afirmativas na pós-graduação: Considerações sobre um novo desafio para luta pela inclusão
Na ADPF 186 (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental), sobre a constitucionalidade das cotas na UnB, o Ministro Relator da matéria, Ricardo Lewandowski, em seu voto, diz o seguinte:
“Como é de conhecimento geral, o reduzido número de negros e
pardos que exercem cargos ou funções de relevo em nossa sociedade, seja
na esfera pública, seja na privada, resulta da discriminação histórica que
as sucessivas gerações de pessoas pertencentes a esses grupos têm
sofrido, ainda que na maior parte das vezes de forma camuflada ou
implícita.
Os programas de ação afirmativa em sociedades em que isso ocorre,
entre as quais a nossa, são uma forma de compensar essa discriminação,
culturalmente arraigada, não raro, praticada de forma inconsciente e à
sombra de um Estado complacente”.
Pleno - Julgamento da ADPF 186 sobre a política de cotas na UnB
Esse trecho deixa evidente que o Ministro se referia não somente a um programa de ação afirmativa específico, como a mídia tradicional faz acreditar, e sim a todos os programas que vierem a ser criados a fim de reduzir as desigualdades, principalmente no que se refere aos grupos socialmente excluídos. Dentro desta perspectiva o movimento negro, enquanto sociedade civil organizada, tem se articulado para conquistar espaços no serviço público federal, apontando falhas na lógica “meritocrática” dos concursos e na dificuldade que este apresenta para o acesso dos grupos socialmente desfavorecidos, visto que hoje os concursos são disputados quase que totalmente pelos chamados “concurseiros”, que podem se dedicar, quase que exclusivamente, ao longo de anos, aos estudos e consequentemente à aprovação. Em termos gerais, que mérito há em alguém que é, muitas vezes, socialmente privilegiado, financiado e treinado para passar em uma prova de concurso público? No Estatuto da Igualdade Racial, de 2010, temos, em seu artigo segundo, o seguinte:
Art. 2o É dever do Estado e da sociedade garantir a igualdade de oportunidades, reconhecendo a todo cidadão brasileiro, independentemente da etnia ou da cor da pele, o direito à participação na comunidade, especialmente nas atividades políticas, econômicas, empresariais, educacionais, culturais e esportivas, defendendo sua dignidade e seus valores religiosos e culturais.
Dessa forma, amparado pelo estatuto, o ministro Lewandowski, em seu voto, se refere não só ao serviço público mas também à iniciativa privada. Hoje é de conhecimento que algumas empresas já aplicam programas de ações afirmativas na contratação de seus funcionários, mostrando o caráter educativo da lei de cotas, que em nossa leitura, altera significativamente a percepção da sociedade quanto à discriminação.
A luta por ações afirmativas no serviço público é válida e legítima, e o movimento social negro tem pressionado o poder público nesse sentido. Hoje tramita no congresso, em caráter de urgência, um projeto de lei que visa reservar 20% das vagas em concursos públicos para candidatos negros. O que é interessante, no entanto, é que sua aprovação pode gerar um vácuo de pessoas qualificadas para esses cargos de relevo que a política visa implementar. Pensemos, por exemplo, no judiciário. Para ingressar na magistratura, faz-se necessário ter experiência jurídica de pelo menos 3 anos, além de ser aprovado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil. Todos os cargos reservados para as ações afirmativas, nesse sentido, demandariam advogados negros experientes, além de indígenas e outros grupos etnicos, e sabemos da dificuldade que esses grupos tem em adentrar essas carreiras.
O problema se torna mais agudo nos cargos específicos de professor e pesquisador universitário. As Universidades Federais brasileiras tem, em seu corpo docente, quase a totalidade de professores doutores ou pós doutores. A excelência do ensino, pesquisa e extensão das universidades estão relacionadas ao alto grau de formação desses docentes. A Lei de cotas 12.711/2012, que reserva 50% das vagas para candidatos oriundos da ensino público e dentre esses uma parcela para negros, indígenas e etc., baseado nos índices do IBGE, possibilita a entrada em massa de estudantes pobres e negros, mas não garante, de forma alguma, a continuação da formação destes estudantes nas carreira científicas.
Os programas de pós graduação aparecem, nesse sentido, como filtros para esses estudantes. Alguns programas são sensíveis ao processo criado pelo REUNi e pelas ações afirmativas, e buscam ampliar a diversidade de seu corpo discente, mas esses programas ainda são uma minoria e estão restrito, em grande parte, a algumas áreas específicas, como as ciências humanas. Para o especialista em ações afirmativas e diretor da ONG Educafro, frei David Santos, é preciso abrir mais portas da pós-graduação para excluídos. "A seleção sempre foi cheia de subjetividades. Falta um pacto nacional para resolver o problema".
Frei David Santos, diretor da ONG Educafro.
É de conhecimento de todos que algumas universidades tem aderido às ações afirmativas em alguns de seus programas de pós-graduação de maneira formal, reservando vagas para os grupos sociais menos favorecidos, como a UnB (Universidade de Brasília), que reservou 20% das vagas para o mestrado e doutorado para alunos negros e indígenas. O Museu Nacional (Universidade Federal do Rio de Janeiro), de maneira semelhante, cria todo ano uma vaga a mais para estudantes indígenas em seu programa. A mais progressista, nessa linha, é a UnEB (Universidade Estadual da Bahia) que reserva 40% de suas vagas nos cursos de pós graduação para negros pobres e indígenas. Essas ações possibilitam a continuação da formação dos alunos e a possibilidade destes em seguir na carreira científica, mas como não faz parte da agenda do MEC, existem em número reduzido e casos pontuais.
Wellington, ativista do CONAJIR, discute o tema em evento na UFSCar
Sendo assim o CONAJIR (Coletivo Nacional de Juventude Pela Igualdade Racial) convoca a militância a se somar em uma campanha nacional de promoção de políticas afirmativas também na pós graduação. O princípio constitucional, como vimos, não se refere somente ao caso específico da UnB, e sim a qualquer programa de ação afirmativa, e é por isso que lutaremos para expandir essa importante conquista do movimento social Negro aos programas de pós graduação.
Não queremos somente justiça social, no sentido de possibilitar nossa entrada e permanência nos programas, e sim promover a diversidade na produção do conhecimento científico, possibilitando novos olhares e diálogos à agenda de pesquisa no país. Partimos da perspectiva de que direitos geram direitos, e que a cidadania só existe no exercício desses direitos.
Entendemos que há a necessidade de pressionarmos o Estado e empresas privadas em todos os campos, se quisermos construir um país mais justo em oportunidades e que valorize sua diversidade. Queremos que as diferenças sejam reconhecidas, e que o poder público se organize a partir desse reconhecimento. Queremos ser doutores e pós doutores, pesquisar em institutos de pesquisa de ponta e integrar o corpo docente das universidades públicas e privadas. O sucesso das cotas, a essa altura, já é um fato. Vamos ampliar esse sucesso?
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Documentário Sobre os Movimentos de Moradia em São Paulo
Perturbador, surpreendente e educativo são
alguns dos adjetivos para esse documentário, LEVA aborda a realidade
social das pessoas que moram em ocupações de prédios abandonados no
centro de São Paulo.
domingo, 26 de janeiro de 2014
Adolescente de apenas 16 anos, é aprovada em medicina na UFBA
Publicado por
Redação Bonfim Notícias
em
25 de janeiro de 2014
Apesar do desempenho, Maria Paula ainda não pôde se matricular na Ufba. Isso porque sua idade não permite obter o certificado de conclusão do ensino médio, necessário para a matrícula. A família, então, entrou com uma ação na Justiça para que a filha pudesse cursar o ensino superior sem precisar voltar à escola — o Colégio Sartre COC — onde as aulas já começaram. A juíza Renata Mesquita, da 14ª Vara Cível Federal entendeu que ela merece, sim, a vaga e emitiu uma liminar garantindo sua pré-matrícula — o que ela já fez na última segunda-feira.
Segundo o advogado da menina, Antonio Jorge Santos, a decisão se baseou no artigo 205 da Constituição que versa sobre “razoabilidade e proporcionalidade”. “Decisões como esta valorizam a meritocracia, garantindo o acesso da jovem à universidade sem precisar concluir o ensino médio”, disse. Justiça à parte, Maria Paula já pode, inclusive, colocar no currículo duas aprovações em Enem.
Isso porque em 2012, quando ainda cursava o primeiro ano do ensino médio, ela obteve 878 pontos — desempenho que lhe garantira vaga na Universidade Estadual Paulista (Unesp). Além disso, ela tem quatro medalhas em Olimpíadas Brasileiras de Química – duas de ouro, uma de prata e outra de bronze. Apesar de tudo, ela tinha dúvidas se seria classificada para a Ufba. “Era o meu sonho, mas eu não tinha ideia de que iria tão bem”, diz.
“Você não é deste mundo!”, “É um alienígena”, ouviu dos amigos. Mas está enganado o leitor se concorda, pois ela não tem nada de anormal. Muito estudiosa e responsável, ela revisava todos os assuntos da escola diariamente, mas nunca abdicou da vida social e jamais deixou de curtir os fins de semana. “Não sou a pessoa que mais estuda no mundo”, revela.
Maria Paula conta, inclusive, que só depois de tirar uma soneca de meia hora e ir à academia se dedicava aos conteúdos para o Enem. Filha de cubanos, ela mora na Pituba. A mãe, socióloga, e o pai, engenheiro nuclear, são seus exemplos. Mas o interesse em Medicina veio da vontade de exercer a solidariedade e a “arte de fazer cirurgias”.
Fonte: Correio24Horas
*Do Correio24Horas
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
MANIFESTO DE APOIO À JUVENTUDE NEGRA, POBRE E DAS PERIFERIAS DA CIDADE DE SÃO PAULO!
PELO
DIREITO À CIRCULAÇÃO E A EXPRESSÃO DE SUA ARTE E CULTURA.
São Paulo
18 de Janeiro de 2013
"É dever do Estado e da sociedade garantir a igualdade de
oportunidades, reconhecendo a todo o cidadão brasileiro, independente da etnia
ou cor da pele, o direito à participação na comunidade, especialmente nas
atividades políticas, econômicas, empresariais, educacionais, culturais e
esportivas, defendendo sua dignidade e seus valores religiososo e
culturais" (Art. 2o. do Estatuto da Igualdade Racial)
O Racismo brasileiro já foi amplamente denunciado
por movimentos e intelectuais. Em dezembro de 2013 a ONU, através de uma
comissão especial em visita ao Brasil, mais uma vez declarou: “Os
afro-brasileiros não serão integralmente considerados cidadãos plenos sem uma
justa distribuição do poder econômico, político e cultural”, reforçando a ideia
do racismo como estruturante das desigualdades em nosso país.
A barbárie social expõe sua face racista em especial através dos números dos homicídios, em especial aquele promovido pelas forças de repressão do Estado. A realidade das prisões brasileiras, agora simbolizada pela revelação dos acontecimentos no presídio de Pedrinhas no Maranhão ou a carnificina promovida por policiais em Campinas reforça o que sempre denunciamos: o caráter racista do Estado e de seus dirigentes.
Esse racismo se
traveste cotidianamente a medida da necessidade do opressor. Nesse momento
vivemos em São Paulo e em outros grandes centros mais uma das faces do racismo
estrutural brasileiro: A reação dos Shoppings, da Polícia e da Justiça em
relação a presença de “jovens funkeiros” nestes estabelecimentos.
Com a liminar que
garantiu o direito ao JK Iguatemi e a outros diversos Shoppings de impedir a
entrada de jovens negros, pobres e funkeiros, percebe-se a reafirmação da
missão da policia, da justiça e do Estado: a proteção à iniciativa privada e
aos seus valores civilizatórios tendo, como sempre, um alvo bem definido:
negros e pobres. Trata-se, sobretudo de um precedente legal perigoso a medida
que promove e formaliza uma prática análoga ao apartheid.
Cruzar os braços
diante de fatos tão graves significaria reforçar a naturalização da violência
contra negros e pobres no Brasil. Afinal, os barrados nas portas dos shoppings
são os mesmos proibidos de frequentar universidades; são os mesmos que perfazem
maioria entre analfabetos, miseráveis, desprovidos de serviços básicos como
saúde, educação, moradia; são os mesmos ridicularizados e estigmatizados pela
grande mídia e, sobretudo, são os mesmos que cotidianamente são parados,
esculachados, presos, torturados e mortos pela polícia nas periferias do
Brasil.
Os rolezinhos em
shoppings que se espalham por todo país revela uma das faces da crise urbana,
carente de espaços de convivência, acesso a arte, cultura e lazer, condições
entregues pelo Estado aos cuidados e usufruto da iniciativa privada de cidades como São
Paulo, estruturadas com base na concentração do solo e na especulação
imobiliária, que provocam a exclusão, desterritorialização e expulsão da
população negra e periférica, para regiões carentes de equipamentos e serviços
sociais e culturais. Os Governos tem
fundamental responsabilidade e devem responder a essa demanda de maneira
imediata.
Criminalizado como um dia fora a capoeira, o samba e o RAP, o Funk moderno é tão contraditório em seu conteúdo quanto o é resistência em sua forma e estética. E se está servindo também para fazer aflorar o racismo enraizado na alma das elites hipócritas – muito mais vinculadas aos valores da luxúria e ostentação que o Funk, declaramos: somos todos funkeiros!
Exigimos:
·
Anulação imediata das liminares que garantem o
direito de segregação aos Shoppings;
·
Pedidos públicos de desculpas pela ação racista por
parte dos Shoppings e dos responsáveis pelas liminares no âmbito da Justiça;
·
Imediato debate público com governos de todas as
esferas sobre a pauta da ampliação dos espaços e condições de acesso
a arte, cultura e lazer que possam contribuir para a inclusão, a emancipação e
garantia de direitos das juventudes, principalmente da juventude negra, pobre e
de periferia.
·
Fim
do Genocídio da Juventude Negra
·
Desmilitarização das Polícias e amplo debate sobre
um novo modelo de segurança Pública para o Brasil.
Assinam
1. CIRCULO PALMARINO
2. UNEAFRO BRASIL – União de
Núcleos de Educação Popular para Negr@s e Classe Trabalhadora
3.
MNU - Movimento Negro Unificado
4.
CONEN-Coordenação Nacional De Entidades
Negras
5. Núcleo De Consciência
Negra Na USP
6. Instituto Luiz Gama
7. Quilombo Raça e Classe
8. UNEGRO - União de Negros Pela Igualdade
9. APN’s - Agentes de Pastoral Negros do Brasil
10. Coletivo Negro USP
11.
Bocada Forte Hip Hop
12.
Articulação
Popular e Sindical de Mulheres Negras do Estado de São Paulo
13.
Ceabra - SP
14. CENARAB - Centro Nacional de Religiosidade e Resistência
Afro-Brasileiro
16. Coletivo Quilombação
17. Coletivo Katu
18. Fórum de Mulheres Negras do Estado de São
Paulo
19.
Fórum Estadual de Juventude Negra do
Espírito Santo - FEJUNES
20. INSPIR - Instituto Sindical Interamericano Pela
Igualdade Racial
21. Instituto Búzios
22. IPEAFRO - Instituto de Pesquisas e Estudos
Afro-Brasileiros
23. Jornal Negritude
24. Kwê Seja Dan - Sinha Mejito Kika De Gbessen
25. Oriashé - Sociedade Brasileira De Cultura
E Arte Negra
26. QUILOMBHOJE Literatura
27. Agência Popular de Fomento a Cultura Solano
Trindade
28. AMPARAR - Associação de Amigos
e Familiares de Presos(as)
29.
ANEL
30. Associação De Favelas De São
José Dos Campos
31. Banco Comunitário União Sampaios
32. Bloco Saci Do Bixiga
33.
Centro Acadêmico Guimarães Rosa
34. Campanha "Eu Pareço
Suspeito?"
35. Campanha “Por Que O Senhor Atirou Em Mim?”
36. Centro Gaspar Garcia de Direitos
Humanos
37. CMP - Central dos Movimentos
De Moradia
38. Coletivo Arrua
39. Coletivo de Poetas e Poetizas
Marginais De Altamira (Xingu E Transamazônia)
40.
Coletivo Quilombo - EPS
41.
DCE-USP
42. ECLA - Espaço Cultural
Latino Americano
43. Esquerda
Popular Socialista - São Paulo
44. Federação de Estudantes de Agronomia do Brasil – FEAB
45. FLACSO - Faculdade Latinoamericana de Ciências Sociais
46. Frente Perspectiva
Mackenzie
47.
Imagem da Vida
48. INESC - Instituto De Estudos
Sócioeconomicos
49. Instituto Práxis
50. Rede 2 De Outubro
51. IPJ - Instituto Paulista De Juventude
52. JSOL
53. Juntos
54. Juventude do
PT
55. Juventude LibRe -
Liberdade e Revolução
56.
Levante Popular da
Juventude
57. Mães De Maio
58. Mandato Deputada Estadual Leci
Brandão
59. Mandato Deputado Estadual Adriano
Diogo
60. Mandato Deputado Federal Ivan
Valente
61. Marcha Mundial De Mulheres
62. MLB - Movimento de Luta
nos Bairros, Vilas e Favelas
63. MMM-RJ
64. Movimento Mulheres em Luta
65. Movimento Paratod@S
66.
Movimento Primavera
67.
Centro Acadêmico de Histária - USP
68.
Movimento Unidade na Luta - JPT
69. MST
70. Núcleo de Direitos
Humanos e Cidadania de Marília
71. Plataforma dos Movimentos
Sociais Pela Reforma Política
72. Rede Emancipa
73. Refundação Comunista
74. Secretaria Municipal De Juventude
Do PT São Paulo
75. Secretaria Nacional De Juventude
Do PT
76. Sindicato dos Advogados de
São Paulo
77. SINTAEMA - Sindicato Dos Trabalhadores
em Água, Esgoto e Meio Ambiente de São Paulo
78. UJS - União Da Juventude
Socialista
79. União Popular de Mulheres de Campo Limpo e
Adjacências
80. União Nacional dos Movimentos
De Moradia
81. WAPI Brasil
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Entre os Rolezinhos e o Sonho de Mandela
Mal secaram as lágrimas por razão da morte de
Nelson Mandela no fim de 2013 e temos que nos deparar com a segregação
racial à brasileira em 2014, agora mascarada pela proibição dos chamados
Relezinhos dentro dos shoppings paulistas.
Será que é um ato de extrema ousadia ir dar um passeio em um shopping de São Paulo? Bem, isso vai depender de qual sua origem social, sua renda, e da cor da sua pele. Por quê?
Por que dentre outros fatos, somos um país preconceituoso, racista, e repleto de exclusão social.
Mas o que nos legou Mandela? O que será que aprendemos, por exemplo, com Carta da Liberdade do Congresso Nacional Africano de 1955, tão defendida por ele, em que no seu 3° paragrafo temos os dizeres:
disponível em:http://correionago.ning.com/profiles/blogs/entre-os-rolezinhos-e-o-sonho-de-mandela?xg_source=facebookshare
(Jovens fazem rolezinho no shopping Itaquera Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iG São Paulo)
Será que é um ato de extrema ousadia ir dar um passeio em um shopping de São Paulo? Bem, isso vai depender de qual sua origem social, sua renda, e da cor da sua pele. Por quê?
Por que dentre outros fatos, somos um país preconceituoso, racista, e repleto de exclusão social.
A juventude preta, pobre e periférica
brasileira como se não bastasse a marginalização e a alta exposição a
violência agora recebe o recado da elite paulistana: “Não queremos vocês
aqui.” Essa mensagem, embora não declarada abertamente, sempre esteve
presente nos espaços elitizados da cidade. São os muros invisíveis da
exclusão. Muros erguidos e sustentados por aqueles que insistem em
segregar o diferente, nesse caso, a juventude pobre, negra, funkeira e
periférica.
* (...) Todas as pessoas têm igual direito
de utilizar suas próprias línguas, e desenvolver a sua própria cultura
popular e costumes; Todos os grupos nacionais devem ser protegidos por
lei contra insultos à sua raça e orgulho nacional; A pregação e a
prática da nacionalidade, raça ou discriminação de cor e desprezo deve
ser um crime punível; Todas as leis e práticas do apartheid deve ser
anuladas.
Infelizmente o sonho de Mandela parece
estar longe de se tornar realidade. E mais do que sermos ousados para
"invadir o santuário de consumismo da elite paulista” (shoppings), que
também sejamos ousados todos os dias de 2014, que façamos da luta contra
discriminação o racismo e a exclusão a nossa luta cotidiana. Pois o
racismo não está somente dentro dos shoppings, está na escolas,
instituições do estado e nas empresas, ou seja, está em nossa
sociedade.
disponível em:http://correionago.ning.com/profiles/blogs/entre-os-rolezinhos-e-o-sonho-de-mandela?xg_source=facebookshare
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