O fato de serem mulheres já estabelece para milhares de pessoas condições de sulbalternização, pois elas tem que enfrentar o machismo, a violência preconceitos e muitas vezes a falta de atenção dos governantes para a questão feminina. Mas dentre os grupos sociais, o grupo de mulheres negras da América Latina, talvez seja um dos mais vulneráveis, ou seja, é o grupo que está mais exposto a situações desfavoráveis em relação a saúde direitos humanos trabalho educação e qualidade de vida. Assim para ampliar a luta contra essa situação negativa em 25 de julho de 1992, no I Encontro de Mulheres Latino-americanas e Afro-caribenhas, em Santo Domingo, capital da República
Dominicana, determinou-se a data como um marco internacional da luta
e resistência da mulher negra.
Ao longo dos anos a construção de uma resistência e a lembrança do dia 25 de julho como um dia de reconhecimento da luta das mulheres negra latino-americanas e caribenhas tem sido cada vez mais intensa. E, essa é nossas singela homenagem todas essas princesas e rainhas negras de África e da diáspora, pois como dizia uma das nossas mais importantes lideranças negras VAMOS A LUTA COMPANHEIROS, PARA QUE A EXPLORAÇÃO E OPRESSÃO TERMINEM NESSE PAÍS! (Lelia Gonzalez)
Já dizia Criolo "Uns prefere morre ao ver um preto vencer" Por: Daniel Ramos
O ódio fascista em relação ao jogador colombiano que quebrou o agora queridinho e antes odiado Neymar Jr, a meu ver, tem origens muito semelhantes.
Vamos nos atentar aos fatos: ambos são jogadores de futebol, citem aí, quantos técnicos são negros? quantos presidentes da fifa? predidentes de fererações como a CBF? alguém sabe o nome de algum? Por favor, deixe a resposta nos comentários.
Voltemos, "Crime, futebol e música.." como diz o clássico "Negro Drama" dos Racionais Mc's são as 3 principais formas que jovens pretos e pobres conseguem de ascensão social. É o que é mais possível de ser feito, e é isso que eles querem que façamos. Podemos jogar bola, mas fazer sucesso, ficar famoso e ganhar dinheiro já é vandalismo.
O que me espanta é ver gente que se diz politizada odiando cegamente neymar e muitos outros jogadores de futebol que sofrem/sofreram tanta violência por conta de um pensamento branco-elitista e que por serem "iluminadas" se sentem no direito de menosprezar um irmão que está na mesma situação que nós. Podem até dizer que os caras tem dinheiro, mas então o dinheiro é o mais importante? A pessoa que diz isso corrobora a argumentação tapada de que o problema que enfrentamos é puramente economico ECONÔMICO. Aí a gente cai nas pegadinhas, esquece de raça, gênero, orientação sexual e achata tudo pra resolver pelo dinheiro. Digo isso pois vejo pessoas que até ontem, assim como neymar, nem suspeitavam de sua negritude o apedrejando, tal qual a "torcida brasileira" tem apedrejado o jogador colombiano. Ódio gera ódio. Falta de informação gera desinformação. Sobra ego inflado, falta humildade, falta empatia....
Rejeição à primeira vista. Assim descreveria a primeira vez que me deparei com a música: Negro Nagô, foi por ocasião de um curso que fiz na PUC-SP, a principio não entendi bem o por que dela ser cantada ali, achei estranho, e a cada estrofe eu ficava mais incomodado. A “cantiga” começava assim:
“Eu vou tocar minha viola
Eu sou um negro cantador
O negro canta, deita e rola
Lá na senzala do Senhor”.
De pronto, já observei a afirmação de alguns estereótipos negativos sobre o negro: nos dois primeiros versos é apresentando o negro como um ser orientado ao tocar e cantar, e em seguida é passada a noção de que há uma espécie de “adaptação positiva” do negro a senzala. Observe ainda o “Senhor”, com letra maiúscula. Entretanto, apesar da primeira parte indigesta, na segunda estrofe, veio um relativo conforto:
“Tem que acabar com essa história
De negro ser inferior
O negro é gente e quer escola
Quer dançar samba e ser doutor”
Mas, mal sabia eu que teria que ouvir serem repetidos, mais de 15 vezes, até o fim da música um sonoro “Dança ai Negro Nagô”. O que para mim definia a mensagem principal transmitida pela música.
Para entender o teor de minha de minha critica é fundamental perceber que em nossa sociedade negros e negras são costumeiramente associados ao campo da corporeidade e nunca do intelecto.
(Negros dançando ao som de tambores, tela de Zacharis Wagener)
No racismo à brasileira, se construiu um lugar social para o negros bem sucedidos, e este lugar não está no campo das ciências ou do intelecto. Espera-se que homens negros sejam esportistas, trabalhadores braçais, mas não cientistas ou médicos. Espera-se de mulheres negras que saibam sambar ou que não façam corpo mole nas duplas jornadas de trabalho como domesticas e cuidadoras do lar, mas nunca que sejam engenheiras ou sequer universitárias (Leia mais aqui)
Bem, procurei desesperadamente na internet o autor da referida musica, eu queria saber se era um negro(a), não encontrei, mas na pesquisa ela era sempre atribuída a Pastoral da Juventude – PJ.
Ora, fiquei me perguntando: o que os levou companheiros(as) da Pastoral da juventude a eleger essa interpretação do negro como modelo ao ponto de reproduzi-la em grande parte das atividades que organizam? Será que foi sugestão de alguma corrente do movimento negro? Será que é uma exclusividade minha o estranhamento com o teor desta letra?
De qualquer modo, de uma coisa eu tenho certeza, a condição social dos negros neste país não me inspira a cantar e dançar, mas à resistência contra as opressões centenárias que nos aflingem. Homens jovens negros são a principais vitimas da violência policial (Leia mais aqui) Mulheres negras estão na base da pirâmide social (leia mais aqui) Crianças negras são preteridas nos processos educativos (leia mais aqui), Portanto, em vez de cantigas de alegria, ouço bradar do meu povo negro um soluçar de dor.
“Esse canto que devia
Ser um canto de alegria
Soa apenas
Como um soluçar de dor”
Não é objetivo deste breve desabafar estabelecer a verdade sobre o que se pode ou que se deve dizer sobre os negros. Não se trata de autoritarismo. Pois de fato considero que os ritmos e musicalidade sempre estiveram e estão presentes na cultura africana e afro-brasileira, prova marcante disso é o beloHino da Negritude criado há 70 anos atrás pelo poeta, professor e grande liderança negra Eduardo Oliveira:
"Sob o céu cor de anil das Américas
Hoje se ergue um soberbo perfil
É uma imagem de luz
Que em verdade traduz
A história do negro no Brasil
Este povo em passadas intrépidas
Entre os povos valentes se impôs
Com a fúria dos leões
Rebentando grilhões
Aos tiranos se contrapôs
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez"
Conajir - Luana, antes de tudo, nós agradecemos imensamente por nos conceder essa entrevista,
para nós é um grande prazer. Bem, sem mais demorara, estamos ansiosos para te
conhecer melhor e mergulhar no mar do Hip Hop feminino com Luana Hansen. Então, diz pra gente: quem é você e por que você escolheu a arte do Hip Hop?
MC Luana - Sou Luana
Hansen , em 2002 tive meu primeiro contato com o movimento Hip Hop, pois foi
neste ano que conheci Sandrão (do grupo RZO), e logo gravei meu primeiro som no
estúdio do DJ CIA com o grupo em que fiz parte: A - FORÇA.
Em setembro
de 2003 conheci através do Sandrão (RZO) as meninas: Angélica e Tina, e com
elas formei o Grupo A-TAL, parceria perfeita, três mulheres, que tinham algo em
comum: a música. Afiadas na rima e no canto, munidas de composições próprias
que relatavam o melhor do gueto com a elegância das festas Black.
Nestes anos
de estrada, ao lado da Angélica e Tina, fiz uma história de muito barulho: Em
2004 no “AGOSTO NEGRO” no estádio do Pacaembu, abrimos o show do Racionais mc’s
para mais de 16.000 pessoas e assim foi no Rio de janeiro no prêmio “HUTÚZ
2004”, em São Paulo na “GAVIÕES DA FIEL”, e no bairro do “CAPÃO REDONDO” para a
comunidade.
O primeiro
show do grupo ATAL com um artista internacional ocorreu no palco do “TOM BRASIL”
no dia 05/05/04 onde fizemos o Show junto do cantor “JA RULE” e “SACRAMENTOS”.
Em 2005 foi
um ano de conquista, nos dias 8 e 10 de abril participamos do projeto
“INTERVALOS MUSICAIS” do CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL, por termos participado
do Longa metragem de “Antônia” onde fiz o papel da vendedora de cachorro
quente.
Neste mesmo
ano nos dias 24 e 25 de julho fizemos a abertura do “CREATIVE COLOR um dos eventos mais importantes na área de cabelo e beleza no Brasil.
E ainda no
dia 23 de novembro ganhamos nosso primeiro troféu no “HUTÚZ 2005” prêmio na
categoria “MELHOR DEMO FEMININO” no Canecão - RJ e no dia 27 de novembro
cantamos no “ARMAZÉN 5”, na festa de encerramento do evento. Tivemos o prazer
do convite a algumas reportagens que as trouxeram a chance de contar com
aparições nas revistas “RAP BRASIL”, “RAP NEWS”, “TRIBO” e “JORNAL O GLOBO” e
várias composições gravadas. Depois de seis anos juntas cada uma resolveu
seguir seu destino.
Tive a
oportunidade de começar a desenvolver outros conhecimentos além de Rimar e
fazer Freestyle comecei a me interessar pela arte dos vinis, tornando-me DJ.
(MC Luana Hansen)
Alguns de
meus trabalhos desenvolvidos como DJ e MC:
Virada
Esportiva-Parque do Ibirapuera 2007
Blitz
Coca-Cola Promoção corda na rua
Projeto
Souza Ramos (Ford) 2008
Festa na
Fábrica da Oakley-Sp
9° Semana
de Cultura Hip Hop - SESC Consolação
Projeto Hip
Hop Mulher 2009
DJ / Mc’s
do Tour do Rodriguinho 2010 (Chapada de Medicina-BA/ Samba Salvador-BA/ Rio de
Janeiro-RJ /Belém /Aracaju/Porto Alegre/Florianópolis, Campinas, entre outros.
Em 2012
consolidei minha carreira solo. Ao lado de Elisa Gargiulo (feminista e
vocalista do grupo DOMINATRIX e da banda Visiona) participou do Documentário: 4
MINAS, onde pude mostrar o meu dia a dia
como rapper , DJ e Lésbica assumida .Ainda com Elisa Gargiulo produzimos uma de minhas músicas mais polêmicas “Ventre
Livre de Fato ” que esteve num festival
pelos direitos Humanos na Espanha e ganhando uma versão com legenda em espanhol
.
Nesse mesmo
ano começou uma parceria com a Banda PLAY,
de DJ e MC junto aos ex – integrantes do grupo Sampacrew: Valtinho Jota
e Junior Vox. No final de 2012 descobri mais um de meus dons, agora como atriz
na Companhia de teatro XPTO, desenvolvi
um trabalho de educação de transito nas escolas do estado de Pernambuco ,com um
musical que trás nas letras de Rap as leis e sinalizações a serem seguidas.
Em 2013 fiz
vários shows como A caminhada das Lébicas e Bissexuais, Layde Fest - ao Lado
das cubanas Krudas Cubansi , Marcha da Maconha-Santos , Festa do Babado -
Unicamp - Pedala Bicha - Campinas -São Paulo não tolera Violência contra
Mulher
Em 2014 já
participei do 8 de março -Ato do dia Internacional da Mulher - Camping Digital
- a Marcha da Maconha - Caminhada das Lébicas e bissexuais
segui a
agenda ....
Ao longo de
minha carreira participei de eventos em “ONGs”, “Centros comunitários” de
várias regiões da Grande São Paulo, cantei no evento “Hip Hop Cultural”
chegando junto no show e nos debates, na “Galeria Olido” no centro aos quatros
cantos da cidade, e em eventos de RAP ao lado de Quelinah, Guru, Max BO, Mc
Auri (RJ), DJ ZÉ Colmeia, DJ Roger, o produtor Aldo Gouveia, WX, Cabal, Thaide,
Rodriguinho (ex-Travessos)... Etc.
Continuo
mantendo a qualidade, a originalidade e a beleza do som com um estilo mais
“Gangstars” e “suingado”.
Agora
produzindo de forma independente meu primeiro Álbum Solo em meu home Studio Com
o nome DJ Luana Hansen, Promete sacudir a história do Rap Atual.
Contando
com a parceria de Adriana Ferreira como (Back -Vocal) e como equipe de Show.
Não escolhi o Hip Hop sinto que foi o Rap que me
escolheu ...
(MC Luana Hansen)
Conajir - Muitos Rappers costumar afirmar que o Hip Hop salva. Esta afirmação tem
algum significado p/ você?
MC Luana - Filha de mãe
solteira não tive nenhum padrinho
musical ou algo do tipo. Dote musical foi o que aprendi nas ruas durante a
minha passagem de garota pra mulher ,onde também deixei pra trás o meu desejo
de jogar futebol e descobri as drogas e o crime, nesta fase da minha vida conheci o Crack, no centro de São Paulo e descobri onde tem e quanto custa! Sempre comprei por
quantidade afinal era o ouro branco passava a noite na frente de umas das
boates mais velha da cidade (LOVE STORY) e através das garotas de programa
vendia muita droga pra no final da madrugada voltar para um apartamento no
Copãn e usava 15 a 25 gramas de Crack por dia. De traficante a usuária em
questão de segundos afinal faz dinheiro de dia perde a noite.
Mas também foi no
meio de tanta coisa errada que eu aprendi a fazer algo certo pra mim...
Entre versos e o
Crack percebi, (não sozinha é claro, com a ajuda de alguns e sim fui internada
numa clinica de reabilitação) o meu verdadeiro potencial: a facilidade de
narrar o meu cotidiano, através do RAP e
da Rima.
SIM O RAP ME SALVOU ....
Conajir - Qual
o seu envolvimento com o Hip Hop? Além de cantar Você tem um trabalho autoral e
produz os seus discos, certo? Por que você escolheu este caminho?
MC Luana - Como já disse não
comecei hoje no hip hop, já trago uma caminhada de doze anos e vivi muitas
situações que nunca visava realmente o meu potencial, ou seja, foram muito poucos
os locais onde eu podia ser eu mesma e gravar sossegada. Sempre fui de observar e querer aprender e percebi
através do conhecimento que não era tão
difícil produzir ou criar, afinal tudo hoje em dia é digitalizado tornando bem
mais fácil coisas como gravação e produção, fui pra cima. Nunca pensei em
desistir mesmo quando ouvi que os homens
não querem uma "mina"rimando como homem, os caras querem as minas
sensualizando. Achei isso tão fútil que criei meu CD em casa pra poder hoje
estar ai sem medo de mostrar o que eu penso e acredito.
Conajir - Em uma de suas letras você
diz:
“Morre
negra, morre jovem
Morre gente
da favela,
Morre o
povo que é carente
Que não
passa na novela
28 de
setembro não é só mais um
É dia de
luta, não é dia comum
Direito
imediato, revolução de fato
Protesto na
batida, ventre livre de fato
Direito
imediato, revolução de fato” (...)
Conajir - Você se sente privilegiada por ser
uma mulher da cultura Hip Hop. Ou melhor, ser uma mulher no meio Hip Hop
facilitou o seu sucesso profissional em algum momento? E dentro disso, você
acha que Hip Hop e feminismo combinam?
MC Luana - Não me
sinto privilégiada no Hip Hop nem hoje, nem nunca fui.
Sou mulher
e lésbica e o Hip Hop é Machista, fazer um trabalho onde você põe a mulher em
primeiro plano desde a produção até a finalização trás um novo conceito.
A maior
prova do machismo no RAP pode ser vista
em seus próprios eventos onde se pode contar nos dedos o número de mulheres
convidadas para ocupar o palco.
Tenho
facilidade de criar e improvisar e isso foi o que fez com que chegasse mais
longe.
O hip hop e o
feminismo são duas maneiras de protesto, que podem trabalhar juntos para trazer
musicas assim como as minhas que retratam a realidade das mulheres, sendo assim
um meio de levar ás pessoas de uma forma consciente e politica questões
como violência domestica, sexual, a desvalorização da mulher no mercado de
trabalho, a legalização do aborto (que foi tema de uma das musicas que criei
juntamente com Elisa Gargiulo, feminista e vocalista da banda visiona), etc... ou
seja são duas formas potenciais de valorizar a força da mulher. Sim o Hip Hop e
o Feminismo combinam e muito!
Pra chegar onde
quer chegar tem que ter amigos e eu os encontro entre pessoas que não
necessariamente estão ligadas no hip hop.
(MC Luana Hansen)
Conajir - Você poderia citar algumas das duas suas refecias que considere ter
forte influenciam sobre o seu trabalho?
MC Luana - Acho que as minhas maiores influencias no Rap
foram a Queen Latifah é uma cantora,
rapper e atriz norte-americana, sempre
foi uma mulher de atitude , responsavel por
um CD maravilhoso que ate hoje serve
de cabeceira, e é logico ela que é uma das maiores produtoras que existe
Melissa Arnette Elliott, mais conhecida como Missy Elliott, é uma rapper, MC,
compositora e produtora musical de Portsmouth, Virgínia.
Claro gosto de outras Rappers como Rha Digga,
Lauryn Hill e não posso dizer que eu não
ouço outras coisas por exemplo no meu Cd
você pode encontrar referências Brasileiras por exemplo Clara Nunes, Bezerra
da silva, Di -Melo,Hyldon.
Como Rapper nacional Ouvi , Vi e Aplaudi muitas vezes minha
querida Dina Dee , Negra Giza,Sabotage.
Sou eclética e tive grandes professores como:
Wilson Sukorski , Ricardo severo , Rodolfo Valente grande compositores da
musica Eletroacústica .
Acho que minha musica é como eu, uma mistura
unica do sons, notas, letras e tons .
Conajir - Luana, o seu perfil compreende e representa muitas das lutas sociais no
Brasil. Conte pra nós, pra você, o que é ser mulher, negra,
periférica e lésbica neste país? Qual o seu maior sonho?
MC Luana - Nossa! Como já
disse uma vez, ser mulher já me coloca em segundo plano, pois é um sistema onde a
mulher ainda não tem domínio do próprio corpo. Como Negra, periférica e Lésbica migramos para o quinto ou sexto lugar. Não servimos, pois não somos
submissas, e é isso que me faz querer ir
mais além.
Meu maior sonho de
verdade é simples, ter minha casa própria, e poder criar lá um local cultural
onde outras pessoas como eu possam ter a liberdade de dar um primeiro passo pra
ir mais longe.
Hoje já tenho o meu
estúdio onde vejo diariamente jovens tentando deixar um pouco do seu legado
entre as rimas e versos .
Tento neste local
criar músicas que relatam isso e já recebo e-mails de pessoas que querem que eu
transforme Poemas, relatos, teses em música.
E é esse meu sonho
viver do que faço , e fazer por algum sentido.
Conajir - MC Luana, muitas das nossas
jovens da periferia se espelham em você por sua postura, coragem e militância.
Se pudesse o que diria para cada uma delas, há
alguma mensagem em especial que gostaria de transmitir a elas?
MC Luana - Nossa muito obrigada!Minha
luta é diária e assim como as delas, as barreiras sempre virão mas nunca me
esqueci de onde vim, e que pra chegar
onde cheguei, preciso e sempre precisarei de pessoas, amigos verdadeiros, pois
nada tem valor nesta vida se não for feito com amor, e que mais bonito do que ter é você ser humano.
A frase que eu
deixo é da minha nova musica chamada Sabedoria ...
"Que espero de Deus, que como um flash arranque o
rancor
e que todos nesta Terra seja mais do que Cor
Diga Não a todas guerras e seja licito Amar
e será certo acreditar num mundo Melhor"....
Conajir - Neste espaço vamos deixar em aberta para que
você fale sobre algo que não perguntamos, mas que vc gostaria de falar.
MC Luana - Adorei ter respondido suas perguntas
e estou a disposição sempre que precisar ,
Universidade Federal de São Carlos reúne especialistas para discussão do tema Segurança Pública e Relações Raciais em São Paulo. O evento acontece na próxima terça feira 01/04/2014 às 10:00 hrs nos auditório do Centro de Educação e Ciências Humanas - CECH. Entre os palestrantes estão Profa. Dra. Jacqueline Sinhoretto coordenadora do Grupo de Estudos sobre Violencia e Administração de Conflitos - GEVAC, com a participação do Prof. Dr. Valter Silverio e dos pós-graduandos Danilo Morais, Giane Silvestre, Maria Carolina Schlittler e Paulo César Ramos, integrantes do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFSCar
Saiba mais sobre o grupo sobre Sociologia da Violência:
Acontece na Universidade Federal de São
Carlos o III Seminário Internacional: Infância e relações étnico-raciais
que entre os dias 17 e 19 de março de 2014.
Dentre as atividades do seminário haverá a realização do colóquio Ações Afirmativas na Universidade: teorias, políticas, práticas que tem como convidado o professor PapNdiaye, abordando a temática: “Experiências de implementação de Políticas de Ações Afirmativas em diferentes contextos: modelos no ensino superior da França e dos EUA”.
(Professor PapNdiaye)
O Professor Doutor PapNdiaye, historiador e docente da Université
Sciences Po. Paris é considerado um dos maiores especialistas
contemporâneos na temática das relações raciais na França. Sua obra é
avaliada como precursora no que é denominado de estudos negros (black
studies) franceses cuja ênfase refere-se aos discursos e práticas acerca
da discriminação racial no território francês.
Mas por que para além dos impostos, muitas vezes, temos que pagar se quisermos educação de boa qualidade? Por que a maioria dos pobres estão fora da universidade pública, e quando podem, pagam altas taxas e mensalidades nas universidades particulares? Se todos nós como contribuintes matemos as universidades públicas brasileirasE, porque não podemos exigir estarmos representados nessas universidades? Essas são questões precisam ser respondidas pelos gestores públicos a fim de entendermos qual a razão do lento desenvolvimento do país.
(Estudantes e militantes do movimento negro em protesto na USP).
A educação, como diria Nelson Mandela, é uma das armas mais importantes para se mudar o mundo e como se sabe, nos dias de hoje, a universidade tem sido cada vez mais importante na vida das pessoas, pois é neste ambiente que o indivíduo tem uma das melhores possibilidades de se desenvolver de maneira plena e universal, e junto a isso, ascender cultural e socialmente.
Para se ter uma ideia aproximada da realidade educacional da juventude brasileira: em 2010 segundo Cartilha Políticas Públicas de Juventude da Secretaria Nacional de Juventude - SNJ, de cada 15 jovens somente 05 conseguiam chegar ao ensino médio e apenas 01 ao ensino superior. Desses, 87% nunca tinham ido a um Teatro ou a um museu e 60% nunca tinham frequentado cinemas ou bibliotecas. Logo,
no Brasil, estudar em vez de direito garantido, infelizmente, ainda é
um privilégio. Principalmente, se você é pobre, preto, morador de
periferia ou responsável por parte significativa do sustento da família. Situação essa que é vivenciada por grande parte dos jovens
brasileiros como que diante disso, se desejarem um futuro melhor, devem
adaptar-se a uma rotina de trabalhar e estudar ao mesmo tempo. Porem, isso não não significa dizer que esta por si só seria “formula magica
para o sucesso”.
"Esse é o espelho derradeiro da realidadeNão é areia, conversa, xaveco Porque o sonho de vários na quebrada é abrir um boteco Ser empresário não dá, estudar nem pensar Tem que trampar ou ripar pra os irmãos sustentar Ser criminoso aqui é bem mais prático (...) Será instinto ou consciênciaViver entre o sonho e a merda da sobrevivência."
Em
2014, por exemplo, a maior e certamente uma das mais importantes
universidades públicas do país, a Universidade de São Paulo – USP
completa 80 anos de história. Mas quantos jovens pobres, pretos
ou indígenas puderam ocupar suas fileiras até agora? No vestibular da USP, que até hoje não adotou a políticas de Cotas, em 2013 nas três carreiras mais concorridas:
os cursos de medicina, engenharia civil em São Carlos e publicidade e
propaganda, não tiveram alunos pretos matriculados. No 1° ano se
matricularam 369 alunos, segundo a Fuvest (Fundação Universitária para o
Vestibular). Desses, a esmagadora maioria 78,3% se declararam brancos,
9,5% são pardos e 11,9%, amarelos Portanto, em 2013 a USP não teve candidatos pretos em seu cursos mais concorridos.
Entretanto, não é no mínimo estranho que grande parte dos médicos do
país se formou com dinheiro público, mas que pouquíssimos deles se quer
pisaram em um hospital da rede pública a não ser para um estágio, muitas
vezes contra sua vontade? Ou seja, não seria interessante que pessoas
que só tiveram o SUS como opção durante a vida toda pudessem se tornar
profissionais nos hospitais públicos que acolhem pessoas da mesma origem
social que elas? (Leia mais aqui ou aqui).
Sobretudo,
antes de pensarmos em exceções como Milton Santos, importante intelectual
negro e ex-aluno da USP, ou Joaquim Barbosa, presidente do Supremo
Tribunal Federal - STF. É preciso pensar a universidade pública como um
espaço público de fato e estratégico para redução de desigualdades
sociais. Digo, é preciso nos mobilizar contra as exceções. Estudantes
pobres, indígenas e negros devem ser a regra nas universidades
brasileiras.
(Formandos do curso de Medicina da UFBA, 2011).
Mas a questão é: quem ganha com a democratização do acesso a universidade com aumento de jovens pobres, negros e indígenas nas universidades públicas? Bem, antes de tudo é preciso considerar que a produção de conhecimento não pode meramente excluir possibilidades, com isso digo: que não se pode desconsiderar os distintos olhares as diferentes e ricas formas de pensar o mundo dos diferentes perfis de estudantes. Em seguida é preciso entender o espaço público como um lugar especifico em que todos devem ter acesso e representatividade. Que a principal universidade do mundo Harvard reconhece a importância da diversidade no espaço universitário, e mais do que isso, a recomenda para uma experiência educacional realmente universal. E por fim que pela diversidade, pela representatividade, pela inclusão social e justiça social não deixemos de lutar por uma universidade pública cada vez mais popular.
Que a regra das universidades brasileiras sejam o compromisso com o ensino de qualidade e com a inclusão social para que possamos conhecer cada vez mais histórias como a de Neemias Andrade, pintor, pai de família, morador de periferia e agora estudante de engenharia. Conheça sua emocionante história clicando aqui