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sexta-feira, 1 de julho de 2016

Opinião tem Cor?

sábado, 23 de janeiro de 2016

“Casa de Machado espeto de Proença”

Por Danilo Lima

          A Academia Brasileira de Letras - ABL, com 118 anos de história, acaba de eleger seu segundo presidente negro, o professor Domício Proença Filho.



                                            (Machado de Asssis eDomício Proença)

           A casa de Machado, como era conhecida a ABL, foi Inaugurada em 20 de julho de 1897. Ela possui uma grande carga simbólica, pois foi fundada por intelectuais progressistas do século (XIX), a exemplo de Rui Barbosa, o seu segundo presidente.

          Sediada no Estado do Rio de Janeiro, a Academia ocupa hoje espaço físico do prédio Petit Trianon de Versalhes, que é uma réplica do edifício de mesmo nome na França. A instituição europeia inspirou o cultivo da língua no Brasil. A ABL é marcada por uma trajetória de vanguarda na busca pela valorização da língua, cultura e literatura brasileira, em um país à época, de maioria analfabeta.

          Talvez por esta razão lá, como cá, a Academia de Letras preserva certo status social para seus membros, atribuindo a esses um tratamento de autoridade quando o assunto é língua.

          Mesmo tendo como um de seus ilustres fundadores o carioca Joaquim Maria Machado de Assis, o garoto autodidata, de origem pobre e negra, que se tornou poliglota e o maior dos escritores brasileiros até os dias de hoje, a ABL não parece ter atingido as expectativas de seu precursor abolicionista.

          Não possuo capacidades místicas que me permitam fazer previsões. Mas acredito que Machado, se vivo estivesse, certamente trabalharia por uma Academia que atingisse seu fim de zelar pela língua, mas, que também fosse uma instituição republicana, afirmativa, representativa dos grupos étnico-raciais que compõem nossa sociedade, desde o “achamento” destas terras.

          Domício Proença Filho, o novo presidente da ABL, também é carioca e dono de uma importante trajetória acadêmica. Nascido em 25 de janeiro de 1936, é Doutor em letras e livre docente em Literatura Brasileira.

          Proença parece ter um projeto de gestão mais representativo da população negra para a ABL, e quanto a isso, lembra um pouco o grande Machado de Assis. O que, convenhamos, não é pouca coisa. Pois não se trata de qualquer academia, sabemos que o letramento, ou se preferirem, a educação, sempre foi um privilégio no Brasil, não é mesmo?


“Aqui, por vezes, educação não é direito, é boleto.”


Mas voltando ao tema... Dizia o novo presidente em seu longo discurso de posse o seguinte:


“(...) a Casa de Machado de Assis, uma vez mais, situa claramente o seu posicionamento, em termos de nossa contingência comunitária. Não nos esqueçamos tempos fundadores de Joaquim Nabuco e de Machado de Assis, a ação pioneira de Afonso Arinos.


Entendo, a propósito, que, na realidade brasileira, respeitadas as opiniões em contrário, o núcleo de preocupação deve ser o combate contínuo e vigoroso ao racismo”.

          Palavras belas não? Mas elas precisam se tornar prática, não só pelo que poderia ser a vontade de Machado de Assis ou de outros ilustres fundadores da ABL, mas, sobretudo, por que ainda temos um povo cativo da ignorância, uma ignorância decorrente do racismo em nossa sociedade.

          Por qual razão foi preciso mais de um século para que outro negro se tornar presidente da ABL? E, se foram necessários mais de cem anos para eleger o segundo negro presidente da ABL, de quantos anos precisaremos para eleger a primeira mulher negra presidente da republica?

          Teria o novo presidente o dever de agir afirmativamente em relação à população negra brasileira? Particularmente, penso que seria um gesto mínimo e simbólico, de reparação a nós negros/as e aos indígenas, por termos nossas populações dizimadas e nossas histórias violentadas.

          Reconhecimento e a Inclusão social de grupos excluídos são mais que necessários, é uma atitude consciente, um dever de todos nós. Não se pode mais tolerar o racismo.

         Ao novo presidente: que tenha sorte, uma boa gestão e que a imponente e pálida fachada do Petit Trianon “jamais se imponha sobre sua negritude”.



Fonte: Portal Africas 

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

RACISTAS OTÁRIOS NOS DEIXEM EM PAZ!

Postado em 01/12/15 por Pedro Borges/Portal AlmaPreta


cincomorto


Texto: Danilo Lima / Imagem: Acervo Digital

Mais lagrimas, mais sangue, mais enterros, a marcha fúnebre prossegue. Os mortos mais uma vez são negros e os assassinos, mais uma vez, policiais militares.

5 jovens negros, inocentes, são fuzilados por policiais militares no Rio de Janeiro. Jovens que por pouco não foram incriminados pelos mesmos militares que tentaram forjar a cena do crime.

Estes fatos trazem a tona a urgente necessidade que temos em acabar com os chamados Autos de Resistência por meio da aprovação do projeto de Lei 4471/2012.

O auto de resistência é a justificativa do policial para o uso da força letal. Em outras palavras, quando um policial militar mata um individuo que, supostamente resistiu à prisão com força, a ocorrência é registrada como auto de resistência.


José Roberto chora a morte de seu filho de 16 anos, assassinado pela polícia junto com mais 4 amigos quando comemoravam o primeiro salário dele (foto: Guilherme Pinto/Extra).

Mas na pratica a medida é uma verdadeira licença para matar a juventude negra. Desse mecanismo decorrem os números absurdos de homicídios de jovens negros no Brasil, que permite também ao policial a possibilidade de incriminar as suas vítimas depois de mortas.

Vivemos no Brasil o pior dos cenários para população negra. Graças à competência e à resistência do movimento negro, todos sabem que são os pretos que estão em pior situação na pirâmide social. Que negros ganham menos, que são maioria nas favelas, que tem menos acesso à educação e que são as principais vitimas da violência policial.

Mas nem as mortes, nem as lagrimas ou as estatísticas parecem comover os racistas.

Seguimos denunciando a falsa abolição e a situação do negro cativo ao subemprego, preso aos grilhões da desigualdade e diariamente açoitado pelo racismo brutal em nossa sociedade.

Um alerta aos senhores e capitães do mato do pós-abolição: estamos cansados! O genocídio negro vai parar, por qualquer meio necessário.

O momento é de dor. Mas o desafio é transformar o luto em mais luta, até que sejamos libertos/as.



Postado originalmente no Portal Alma Preta 

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

NÃO DÁ PARA COMBATER O GENOCÍDIO DOCILMENTE


por: Rapper Pirata 


Tem maluco nosso que alcança postos de decisões mas porque já está adaptado a meritocracia, esse não influência em nada, deseja somente receber dinheiro. Durante seu tempo de 'fake' luta ele foi negando as bases pobres, pretas e periféricas, porem as utiliza em discursos para convencer com seus simulacros de realidade politica.

Não quero parafrasear Marthin Luter King, só que também tenho um 'gangsta' sonho: Ah... Como seria muito 'loco' se nós pobres que tivemos e fazemos o hip hop como base na periferia entendêssemos nosso poder. Se buscássemos nosso espaço de poder politico sem se adaptar as regras que vão contra nós. Negássemos a concessão que mantem o racismo,miséria e uns como escolhidos para enganar nos.

A essência de nossa luta tem que ser para todos, mesmo sabendo que uns se enfraquecem, isso porque somos de um país que tem 400 anos de história de seu povo na escravidão, então extirpar de nossa cultura e filosofia de vida o sentimento de sobrevivência é difícil, ainda mais que o sistema capitalista aqui é de estrutura escravocrata.


                                     

Um povo tem que ter como lema a vida, para desfrutar da natureza que uma nação oferece, eliminando qualquer resquício de miséria que o outro esteja vivendo.

Os anos passam e nós achamo nos iguais aos diferentes brancos ricos que desfrutam na natureza do país, eles nos veem como inimigos, por isso decretam em suas falas e ordens no ornamento do estado o nossos espaço para convívio em favelas, cadeias, ruas e onde já não é possível ter vida, que é a morte gerada pelo racismo institucional do estado.

Esses que se utilizam dos discursos, já não me convencem porque conheci eles nos 'rolês', lá esses se 'caguetaram' que o 'bang' é só para eles. Então fazem as estratégias do poder consolidado há 500 anos, eles servis vão reforçando a divisão entre os iguais que é a maioria, mas querendo ser o diferente dócil para a minoria branca classe média racista.
Fucking niggaz!


sábado, 16 de agosto de 2014

Quanto vale uma vida, exceção virou regra no Brasil?


 Escrevendo agora à noite, ouço a reportagem do jornal sobre um protesto realizado numa cidade dos Estados Unidos pela morte de um jovem negro por um policial. Como a reportagem me chamou atenção, fui pra frente da TV ver do que se tratava. Na reportagem os manifestantes protestavam nas ruas pela morte do jovem, que segundo testemunhas, foi morto pelo policial mesmo quando já tinha se rendido.

O fato é que o que me chamou atenção na reportagem, para além de ter ficado revoltada com a ação policial e a morte de um jovem negro, certamente por uma atitude racista, já que ser negro no imaginário policial, muitas vezes, significa ser bandido, foi a pronta reação a essa violência.

         As autoridades do governo foram acionadas imediatamente para dar explicações sobre morte do jovem Michael Brown, e até o presidente Obama fez um pronunciamento público sobre, no qual condenou a repressão policial aos manifestantes e a prisão de alguns jornalistas que cobriam o ocorrido. Até ontem 14/08, mais de 30 pessoas já tinham sido presas durante as manifestações que já duram 04 dias.

           Outra questão muito seria a ser observada é que conforme já havia relatado um amigo de Brown, por meio de um pericia preliminar, se constatou que Michael Brown foi alvejado por vários tiros na cabeça. Fato que configura não uma morte circunstancial, mas sim um assassinato, neste caso não é difícil compreender a revolta dos manifestes contra a ação policial.

Manifestantes marcham em protesto contra a morte de Micahel Brown no centro de Ferguson, Missouri, em 11 de agosto Foto: Sid Hastings / AP

Aqui no Brasil, hoje mais cedo, olhando meu Facebook, vi uma postagem revoltada de um companheiro que dizia “até quando?” se referindo ao assassinato de um jovem negro em Salvador- Bahia.

Ao me deparar com os dois casos, logo pensei: quantos jovens negros/as precisam morrer no nosso país para que se tomem providências mais incisivas? Obviamente que não estou querendo dizer aqui que os Estados Unidos são o um modelo ideal de nação não racializada a ser seguida, no entanto, não vejo, por exemplo, a governadora do meu estado ou outros governantes se pronunciarem diante do alarmante quadro de mortalidade juvenil que se encontra o Brasil.

        No Brasil a cada 100 mil jovens, 53,4 foram assassinados, em 2011 e os crimes foram praticados contra pessoas entre 14 e 25 anos (Mapa da Violência, 2013);

            Em 2010, foram contabilizados 192.804 casos de homicídios no Brasil. Números superiores a somatória de homicídios ocorridos em países que estiveram em conflito armado, como Israel/Territórios Palestinos, Iraque, Afeganistão, Colômbia, Paquistão, Índia, Somália e Sudão, que entre 2004 a 2007 somavam 157.332. (WAISELFISZ, 2012);

         Em 2011, do total da população, o número de vítimas de homicídios de cor ou raça branca diminuiu em 22,3%, entre 2002 e 2008. Entre os negros (pretos e pardos), o percentual de vítimas de homicídio cresceu em 20,2%, no mesmo período. Em 2002, foram vítimas de homicídios, proporcionalmente, 45,6% mais negros do que brancos. Em 2005, pelo mesmo motivo, morreram 80,7% mais negros que brancos e, em 2008, morreram 111,2% mais negros que brancos.

Embora a demanda 1 da I Conferencia Nacionalde Políticas Públicas de Juventude tenha sido a Campanha contra o Genocídio da Juventude Negra e apesar de todos os esforços dos Movimentos Negros, Movimentos De Juventudes, Fórum Nacional de Juventude Negra, entre outras entidades ainda não conseguimos acabar com ou reduzir consideravelmente os números de jovens negros mortos no país. Ainda suamos muitos para tentar dar visibilidade a essa pauta. Não vejo nos jornais de grande visibilidade nacional a cobertura das Marchas feitas pela campanha “Reaja ou seja Morto, Reaja ou Seja Morta”.

       "Para termos uma ideia, em 2012, 1.890 pessoas morreram em supostos confrontos com a policia no Brasil. Enquanto que nos EUA, país com uma população 60% maior que a do Brasil, no mesmo período, 410 pessoas morreram na mesma situação." Além disso, temos uma das menores taxas de resolução de crimes violentos, um sistema prisional falido e o maior contingente jovem da história brasileira 51 milhões. Ou seja, a questão da violência no Brasil é urgente e absolutamente grave.

           Em 2013 por razão da morte do garoto Trayvon Martin, assassinado por um segurança que o confundiu com um bandido, Barack Obama, primeiro presidente negro dos EUA, também se pronunciou a nação dizendo "poderia ter sido eu".

           É certo que a luta contra violência não deve ser desempenhada tão somente pelos governantes, toda sociedade deve estar envolvida nesse objetivo. Mas ao ver na TV o pronunciamento do presidente Obama, várias coisas me vieram a mente. Uma delas foi que: se nossos governantes fossem se pronunciar publicamente para explicar e cobrar justiça por cada caso de jovens negros/as mortos/as pela polícia no país, nós não teríamos mais horários disponíveis na televisão para outro tipo de programação.

Contribuições: Danilo lima

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Luta Negra e Privilégio Branco

por: Danilo Lima

          É fato que o  negros escravizados construíram este país. O Brasil deve muito ao seu povo e principalmente ao povo negro, mas parece não ter consciência dessa divida.

Revolução Haitiana 1791 a 1804

     Historicamente lutamos pela preservação do que é nosso. Desde África há resistência negra, para preservação a cultura, da religião, dos valores que ainda hoje são constantemente violentados. Pois “a casa grande jamais voltou os olhos para a senzala sem subjuga-la”.

          Mas resistimos, bravamente resistimos, e lutamos pela liberdade de nossa prática religiosa, por educação, saúde, trabalho, moradia de qualidade e fundamentalmente por igualdade de oportunidades. O que há de mal nisso? Por que tantos se voltam contra as políticas afirmativas, sociais e inclusivas que defendemos?

          Entendo que parte do problema é que os historicamente os privilegiados não reconhecem sua posição social, como bem diz Leopoldo Duarte em  seu texto recente “Se o mundo é racista não ser alvo de racismo já é um modo de gozar de privilégios.” Afinal a miscigenação brasileira NÃO se verifica nos postos de poder do país.

         É necessário observar que quando o movimento negro, historicamente, denuncia a violência e as práticas genocidas contra a população negra e principalmente contra sua juventude, ele se mobiliza em favor da vida, que é um direito universal.

         É fato que a luta do movimento negro por políticas afirmativas de cotas raciais abriu também as portas da universidade pública para alunos brancos e carentes das escolas públicas.

        É fato também que a luta por emancipação da mulher negra emancipa também a sociedade brasileira, considerando que negros somam mais da metade da população brasileira e que essas mulheres negras são, em suma maioria, as responsáveis pelo sustento de suas famílias, mesmo sendo elas empurradas pelo racismo a base da piramide social.

        Mas como aponta o professor Adilson Moreira, no Brasil temos sim uma elite branca de classe media alta, majoritariamente masculina e heterossexual, que se demonstra irredutível quanto a deixar sua posição social privilegiada, e que manda no país a partir dos postos de comando que ocupa.

        Não obstante,  oportunistas ainda fraudam as políticas afirmativas para negro/as que tão duramente construímos e conquistamos, mais uma vez, se beneficiam do nosso sacrifício entrando nas vagas reservadas para negros nas universidade públicas, como ocorreu na UERJ, ou em concursos públicos, ou ainda nas vagas para diplomacia  no Itamaraty como os denunciados pela Educafro em SP.

        Se somos a maioria da população brasileira, se temos a exata consciência que o Estado brasileiro nos deve, e muito, se mesmo lutando por direitos universais somos excluídos e discriminados, se quando conquistamos direitos nos roubam as oportunidades, se sabemos que o racismo é um projeto de dominação que nos subalterniza, lhes pergunto, ansioso pela resposta: O que tem anestesiado a revolução negra contra o privilégio branco no acesso às oportunidades nesse país?



domingo, 6 de julho de 2014

"Uns prefere morre ao ver um preto vencer"


Já dizia Criolo "Uns prefere morre ao ver um preto vencer"

Por: Daniel Ramos


O ódio fascista em relação ao jogador colombiano que quebrou o agora queridinho e antes odiado Neymar Jr, a meu ver, tem origens muito semelhantes.
Vamos nos atentar aos fatos: ambos são jogadores de futebol, citem aí, quantos técnicos são negros? quantos presidentes da fifa? predidentes de fererações como a CBF? alguém sabe o nome de algum? Por favor, deixe a resposta nos comentários.
Voltemos, "Crime, futebol e música.." como diz o clássico "Negro Drama" dos Racionais Mc's são as 3 principais formas que jovens pretos e pobres conseguem de ascensão social. É o que é mais possível de ser feito, e é isso que eles querem que façamos. Podemos jogar bola, mas fazer sucesso, ficar famoso e ganhar dinheiro já é vandalismo.

O que me espanta é ver gente que se diz politizada odiando cegamente neymar e muitos outros jogadores de futebol que sofrem/sofreram tanta violência por conta de um pensamento branco-elitista e que por serem "iluminadas" se sentem no direito de menosprezar um irmão que está na mesma situação que nós. Podem até dizer que os caras tem dinheiro, mas então o dinheiro é o mais importante? A pessoa que diz isso corrobora a argumentação tapada de que o problema que enfrentamos é puramente economico ECONÔMICO. Aí a gente cai nas pegadinhas, esquece de raça, gênero, orientação sexual e achata tudo pra resolver pelo dinheiro. Digo isso pois vejo pessoas que até ontem, assim como neymar, nem suspeitavam de sua negritude o apedrejando, tal qual a "torcida brasileira" tem apedrejado o jogador colombiano. Ódio gera ódio. Falta de informação gera desinformação. Sobra ego inflado, falta humildade, falta empatia....