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sábado, 22 de agosto de 2015

Comissão Estuda crimes da escravidão em São Carlos

Por: Conajir

        Nomeada comissão local da Verdade Sobre a Escravidão Negra no Brasil. A cerimonia aconteceu na Ordem dos Advogados de São Carlos.

         O trafico negreiro para o Brasil marcou a estruturação de muitas das nossas cidades. Ainda hoje podemos encontrar sem muita dificuldade reflexos do período escravocrata.

        A cidade de São Carlos chegou a atingir o segundo lugar no tráfico de escravos para o interior paulista, ficando atrás somente para a região onde hoje é a cidade de Campinas. Muitas das marcas desse período ainda estão presentes na cidade seja, por exemplo, pelas varias fazendas com seus casarões, porões e senzalas, seja pela distribuição geográfica da população negra da cidade, que em geral, encontra-se em zonas periféricas.


(Fazenda do Pinhal-São Carlos)

       Presidida pelos advogados Renato Barros e Sara Bononi a comissão é composta por 04 membros efetivos que são advogados e por 12 consultores da sociedade civil e representantes de movimentos sociais da cidade.

      Dentre suas atribuições cabe a comissão de São Carlos auxiliar do poder público no combate à discriminação racial apontando caminhos e propostas de políticas públicas afirmativas de que corrijam essas desigualdades históricas.

       Segundo Alexandre Reis que é dos consultores: “A Comissão é importante porque ela contribuirá para um aprofundamento da história do negro no Brasil. Há muita coisa dessa história que pode ser perdida num espaço de até menos de uma década se algo não for feito no sentido de recolher e centralizar registros de uma geração já envelhecida e que teve parentes escravizados”.


                                     (Nomeação de Membros Comissão da Verdade da Escravidão Negra São Carlos)

    Embora nomeada formalmente na noite de ontem, 21/08/2015 a Comissão da Verdade da Escravidão Negra – São Carlos já iniciou seus Trabalhos a partir do levantamento de documentos e produções acadêmicas sobre as questões da escravização negra, tendo por meta ainda a realização entrevistas, o registro de materiais objetos que contribuam para elucidação do modo como viviam negras e negros escravizados na cidade.

        Esses registros comporão um relatório de atividades que será enviado para a Comissão Estadual da Verdade Sobre a Escravidão Negra e em seguida, juntamente com os outros relatórios regionais, será enviada para os membros da Comissão Nacional.

      Comenta Viviane Rocha, relatora da comissão, que: “É preciso Lembrar que a pergunta que norteia nossa pesquisa e futuro relatório é: Como se deu a escravidão e quais os crimes que ocorreram durante ela”.  

         Conclui a Dra. Bononi, visse presidenta da Comissão da Verdade da escravidão Negra em São Carlos que se trata de: “Uma Iniciativa sem precedentes da sociedade de civil organizada com fim de apresentar à sociedade e ao Estado dados concretos de uma das maiores tragédias da humanidade, até hoje não reparada”.   


 (Dra. Sara Bononi/ vice Presidente CVN - São Carlos)

        Certamente o trabalho da comissão da verdade é mais uma importante ferramenta para justiça histórica que precisa ser realizada por todos nós. Portanto acompanhe o trabalho da comissão não deixe de contribuir, participar da construção de um país mais com mais igualdade e justiça social.


Leias mais sobre escravização no Brasil: Um Cemitério à beira-mar





quinta-feira, 23 de abril de 2015

Encontro de Estudantes e Coletivos Universitários Negros - EECUN


          Já imaginou se os estudantes e ativistas negros e negras de universidades públicas e particulares de todo o país pudessem se encontrar durante 03 dias para uma avaliação sobre sua realidade no mundo acadêmico, sobre os seus problemas e desafios comuns? Nós já! 

     Entendendo que o ser negro(a) na universidade significa, não apenas ter mais possibilidades de sucesso profissional, mas também estar sujeito a muitos conflitos e opressões e, que o Movimento Estudantil por si só não conduz nossa pauta com a qualidade que precisamos, nos estudantes negrxs independentes de varias regiões do país estamos construindo um espaço nosso, de discussão e encaminhamento das nossas questões. 

    Convidamos a todas e todos estudantes negros e negras organizados ou não em grupos associações ou coletivos para estarem conosco na Universidade Federal de do Rio de Janeiro UFRJ, para o  Encontro Nacional de Estudantes e coletivos Universitários Negros - EECUN, a ser realizado nos dias 13 , 14 e 15 de maio de 2016,  um encontro autônomo, público e independente: 
  •      Autônomo por ser idealizado construído e auto gestionado por estuantes negras e negros de diferentes regiões do país de universidade públicas e particulares organizados ou não em grupos, coletivos ou associações. 
  •    Público, embora o encontro objetive atingir um perfil especifico de estudantes (negras e negros), o encontro é aberto a todo e qualquer interessado nos temas que serão discutidos durante o evento. 
  •      Independente, somos independentes, pois não estamos subordinados a nenhuma instituição seja politica, estudantil ou partidária. 



          Convidamos vocês estudantes universitários de todo o Brasil a serem articuladores deste encontro nas universidades que estudam, nos centros acadêmicos, nos coletivos e organizações a ajudarem na organização, divulgando o encontro, se organizando para participar e propondo pautas de discussão.



FORTALECER PARA PERMANECER!!!



CONTATO COM OS ORGANIZADORES:

E-mail: negrosuniversitários@gmail.com


quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Luta Negra e Privilégio Branco

por: Danilo Lima

          É fato que o  negros escravizados construíram este país. O Brasil deve muito ao seu povo e principalmente ao povo negro, mas parece não ter consciência dessa divida.

Revolução Haitiana 1791 a 1804

     Historicamente lutamos pela preservação do que é nosso. Desde África há resistência negra, para preservação a cultura, da religião, dos valores que ainda hoje são constantemente violentados. Pois “a casa grande jamais voltou os olhos para a senzala sem subjuga-la”.

          Mas resistimos, bravamente resistimos, e lutamos pela liberdade de nossa prática religiosa, por educação, saúde, trabalho, moradia de qualidade e fundamentalmente por igualdade de oportunidades. O que há de mal nisso? Por que tantos se voltam contra as políticas afirmativas, sociais e inclusivas que defendemos?

          Entendo que parte do problema é que os historicamente os privilegiados não reconhecem sua posição social, como bem diz Leopoldo Duarte em  seu texto recente “Se o mundo é racista não ser alvo de racismo já é um modo de gozar de privilégios.” Afinal a miscigenação brasileira NÃO se verifica nos postos de poder do país.

         É necessário observar que quando o movimento negro, historicamente, denuncia a violência e as práticas genocidas contra a população negra e principalmente contra sua juventude, ele se mobiliza em favor da vida, que é um direito universal.

         É fato que a luta do movimento negro por políticas afirmativas de cotas raciais abriu também as portas da universidade pública para alunos brancos e carentes das escolas públicas.

        É fato também que a luta por emancipação da mulher negra emancipa também a sociedade brasileira, considerando que negros somam mais da metade da população brasileira e que essas mulheres negras são, em suma maioria, as responsáveis pelo sustento de suas famílias, mesmo sendo elas empurradas pelo racismo a base da piramide social.

        Mas como aponta o professor Adilson Moreira, no Brasil temos sim uma elite branca de classe media alta, majoritariamente masculina e heterossexual, que se demonstra irredutível quanto a deixar sua posição social privilegiada, e que manda no país a partir dos postos de comando que ocupa.

        Não obstante,  oportunistas ainda fraudam as políticas afirmativas para negro/as que tão duramente construímos e conquistamos, mais uma vez, se beneficiam do nosso sacrifício entrando nas vagas reservadas para negros nas universidade públicas, como ocorreu na UERJ, ou em concursos públicos, ou ainda nas vagas para diplomacia  no Itamaraty como os denunciados pela Educafro em SP.

        Se somos a maioria da população brasileira, se temos a exata consciência que o Estado brasileiro nos deve, e muito, se mesmo lutando por direitos universais somos excluídos e discriminados, se quando conquistamos direitos nos roubam as oportunidades, se sabemos que o racismo é um projeto de dominação que nos subalterniza, lhes pergunto, ansioso pela resposta: O que tem anestesiado a revolução negra contra o privilégio branco no acesso às oportunidades nesse país?